segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

confidencial

- vamos fazer um brainstorm.
- mas qual cliente?
- é confidencial.
- qual produto?
- também não podemos abrir. mas vamos ter as idéias! rápido, eles querem isso pra depois do almoço.
- uhm, talvez fosse interessante uma pesquisa antes do brainstorm.
- pesquisa? pra quê? que frescura...é urgente.
- ok
- é isso aí! alguém já teve uma?
(criativos pensando)
- coloca a mãe na peça mané. ah má vá pra pqp.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Cadê a fucking presentation?

Dúvida cruel:
Por que sempre que há prospecção, nunca há uma apresentação da agência pronta?

Caramba.

Se a agência existe há trocentos anos, o mínimo que deveria ter é uma apresentação.

Nem quando você não tem agência aberta, você tem uma apresentação.

Até quando você é um medíocre freela, tentando a vida no show business, você tem uma apresentação.

Então, por que RAIOS, existe sempre o mesmo job a cada prospecção?

Uma coisa é um job "hot pocket". Põe no microondas e já era. Outra coisa é você ter que fazer o lanchinho do hot pocket.

Essas pequenas coisas me irritam. Porque, somando tudo, viram grandes coisas. Saca?

Se eu contar, ninguém acredita...

Imagine uma agência na qual seja a própria residência do dono. Imagine uma agência que tenha dois cachorros. Imagine que um belo dia um dos cachorros escape do "quintal". Imagine que esse cachorro faça cocô na sala que você trabalha. Imagine que a rodinha de uma das cadeiras, de um dos funcionários, esmague o cocô. Imagine ouvir do dono: limpa aí a rodinha.

Difícil de imaginar? Eu imagino.
Imagina essa então.

Imagine que o dono dessa mesma agência está prospectando um puta cliente e esse mesmo cliente pegue um avião até SP, só para fazer reunião com ele. Imagine que o mesmo cachorro, da cena anterior, faça cocô na sala de reunião. Imagine que o cliente pise no cocô.

Conseguiu imaginar?
Pois é. A agência, o cachorro e o cliente existem. Ah! e sim, o personagem principal - o cocô - também.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Cortaram a perna da informação

Odeio informação mutilada. Ô mania desgraçada de dar instruções sem pé nem cabeça.
"Procura aí"
"Pega aí"
"Faz aí"
Nossa, tenho uma vontade de mandar tomar naquele lugar. O problema é que isso pode custar meu maravilhoso emprego, tão maravilhoso quanto pisar na merda e ouvir alguém dizendo que é sorte. Não tenho obrigação de saber de tudo. Se ninguém avisa, não rola uma sessão mãe Diná para descobrir. E até ela erra.

-Precisamos fazer uma proposta.
-Que proposta?
-Aquela lá, daquele cliente.
-Qual cliente?
-O cliente que a gente tá prospectando.
-Estamos prospectando alguém?
-Ah...você tá muito desligada hein.
-O que você queria? Sou redatora e não atendimento.
-E daí...você precisa se inteirar.
-Olha, eu até gostaria...mas assim realmente fica difícil.
-Não reclame.
-Tá, qual o cliente?
-É um cliente que tem muita grana.
-Então manda ele procurar outra agência.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Job de mulher, mulher entende.

Tudo começou quando o briefing chegou - e-mail mkt para o dia das mulheres.
A minha primeira reação, ao receber o briefing, foi de deboche escrachado. A idéia central (escrita por um homem) continha a seguinte frase: "A primeira luz nasce no ventre de uma mulher." Ri muito. Depois, tentei conter o riso porque descobri de onde vinha a idéia - poderia ter custado meu emprego. Após períodos de euforia, virei para a diretora de arte e dei início ao seguinte diálogo:
eu: Tenho uma idéia para a imagem.
DA: Ah é? Qual?
eu: foto de mulher. perna aberta. luz saindo do "ventre".
DA: (risada)
eu: o título poderia ser: "Há sempre um ventre no fim do túnel."
DA: (mais risadas)

Não aguentei. Só mesmo um homem para escrever aquilo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pague 4 e leve 2

Uma das minhas frustrações em redação publicitária é ter que elaborar comunicação de varejo. Casas Bahia que me desculpe. Dói meu coração só de pensar que o que tem mais resultado são as benditas frases sem sentimentos. Pá-pum. Não é um daqueles jobs desgastadores de cérebro. Por outro lado, eu nunca consigo fazer. Ok "nunca" é uma palavra muito forte. A real é que eu já vou com um sentimento ruim para esse briefing.

Por mais que os títulos de anúncio de varejo sejam meio "óbvios", eles passam por aprovações. Nessas, alguns são reprovados. Qual é o critério? "Gaste menos e compre mais", é melhor que "Compre mais com menos"?! Eu entro em crise e não sei até que ponto o óbvio é óbvio demais ou se o tal do óbvio precisa ser pensado melhor.

(1 minuto de reflexão)

Sinto que faltam letrinhas. Tenho dó delas, tão jogadas no layout, como se fossem meros caracteres. Não pensem que eu não ache varejo importante. Claro que é! E como tem crescido! Os publicitários e marketeiros modernos ainda me trucidam por causa deste texto. Só estou defendo as letrinhas mesmo...

Ok, preciso superar isso. Varejo também faz parte da rotina.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Coisas que eu descobri

Descobri que:
- Uma idéia boa simplesmente surge. E isso pode acontecer durante os 5 primeiros minutos depois de receber o briefing, ou na madrugada que antecede a reunião com o cliente;
- Atendimento não sabe fazer briefing;
- Atendimento é bipolar;
- Caras de atendimento são seres irritantemente sociáveis;
- Apresente a idéia pronta ao atendimento;
- Um conceito ótimo pode ser bloqueado pelo atendimento e depois ser adorado pelo mesmo atendimento;
- Nunca uma idéia boa sai numa rodada de brainstorm. É igual Happy Hour. Quanto mais cerveja, mais besteira sai, melhor fica;
- Para alguns, target é apenas uma frescurinha. Um detalhe qualquer do briefing;
- Sair da agência e alguém te ligar pedindo pra voltar gera um sentimento de ódio profundo;
- Alguns (lêia-se "alguns") diretores de arte possuem um distúrbio chamado: déficit de leitura. Todas as letrinhas precisam vir acompanhadas das imagenzinhas. E as letrinhas devem estar certinhas. Ah! eu prezo pelas letrinhas;
- Não deixe um redator encostar num photoshop;
- Ao contrário do que muitos pensam, escrever não é apenas juntar algumas palavrinhas e concluir com um ponto-final;
- Depois do chocolate, dicionário de sinônimo e antônimo é uma ótima invenção (acredita que "menstruação" também é sinônimo para "incômodo"?);
- Se você é mulher, feminista, adepta a queima do sutiã e trabalha numa agência de propaganda, prepare-se. Você terá que ouvir coisas como: "Vamos colocar a gostosona da Juliana Paes na campanha", ou "O produto nessa campanha será a mulher";
- Falta de objetividade gera re-trabalho;
- Publicitário trabalha mais no re-trabalho, do que no trabalho. Afinal, são vários re-trabalhos;
- Cliente adora re-trabalho;
- Os re-trabalhos, muitas vezes, poderiam ter sido evitados;
- Revisão não é trabalho de redator. Mesmo assim: "tá mt ocupada? Você revisa isso aqui?";
- Planejamento é importante;
- Donos de agências gostam de títulos;
- Você se fode em início de carreira;
- O salário é baixo;
- Tem gente que consegue ganhar menos que você;
- O estacionamento é caro;
- A comida também;
- Agência de propaganda nunca fica em bairro pobre. Mas sempre tem aquela velha padoca pra te ajudar;
- Não segure o crachá no elevador, principalmente quando você sair 01 da manhã da agência. O sono inibe alguns reflexos. Ele pode cair no poço. (é, aconteceu comigo);
- Depois de trabalhar de madrugada e chegar ao meio-dia (mais do que de direito), você ainda vai ouvir piadinhas como: "chegando a essa hora?!";
- Clichês vão continuar a exister;
- Existem pessoas que moram em agências de propaganda. Você chega, elas estão lá. Você vai embora, elas continuam lá;

E por fim...
- Poderia ganhar muito mais dinheiro trabalhando com Marketing e ainda sairia no horário.

Isso que dá correr atrás dos sonhos.